Viajar nos Livros - Irão
- Sardine Ana

- 5 de abr.
- 3 min de leitura
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Livro

📖 As Leoas de Teerão - Marjan Kamali | 🌍 Irão 1950-2022
As Leoas de Teerão
por Marjan Kamali

A estória de Ellie e Homa levou-me a percorrer Teerão desde 1950 até 2022. Duas amigas de dois extractos sociais muito diferentes e consequentemente com oportunidades muitos diferentes e riquezas dispares entre material e interna. Este livro levou-me a pensar sobre o sitio onde nascemos e a sorte que temos ou não temos. Sobre feminismo, sobre a luta das mulheres. Sobre ter Liberdade e direitos que achamos adquiridos e aos quais não damos valor porque sempre os assumimos como a norma.
Começamos a viagem em Teerão de 1950. Uma cidade cosmopolita e em modernização - "Ruas arborizadas e cafés movimentados davam a Teerão um ritmo muito próprio”. Há uma sensação de abertura cultural - "Nos cafés de Teerão, as pessoas conversam em torno de um chá, como se o tempo abrandasse". Há um baazar onde gelados são vendidos - “Paredes antigas erguiam-se ao lado de edifícios modernos, cada uma contando uma história diferente” e “A cidade pulsava de movimento — vendedores a apregoar, carros a serpentear, pessoas a passar apressadas". Assim Teerão é-nos apresentado como "a cidade das possibilidades, vivo com promessas".
No entanto há também um Xá com regras apertadas sobre o direito de parentalidade das mulheres. Aquando de um divórcio os filhos são entregues ao pai. Existe luta nas ruas para que estas leis sejam revistas e consegue-se muitos avanços através da luta das mulheres iranianas. Na década de 50, 60 e 70, andam na rua tal como nós (cada uma tem a liberdade de escolher vestir o que quiser), andam na universidade, sonham ser juízas. Mas também são presas por protestarem, são sujeitos a atos de tortura e têm que ter coragem de na ilegalidade organizarem manifestações que tudo digam sem nada dizerem.
Crescemos com a Ellie e a Homa, e chegamos a um Irão onde o Xá é deposto e entra no poder o Aiatolá Khomeini instaurando-se uma republica islâmica. Celebra-se o fim da monarquia e a saída do Xá, sem perceberem que as alternativas se mostram não muito diferentes. As mulheres perdem direitos a cada dia e agora já nem Liberdade de vestirem o que quiserem têm. Teerão torna-se tenso e imprevisível - "As ruas que antes ecoavam com risos agora tremem com os cântigos e agitação". Há policiamento, presença militar, vigilância constante e restrições crescentes com foco especial nas mulheres - "Um medo instalou-se sobre Teerão, como uma sombra que não saía".
A luta prevalence até hoje mas as leoas Iranianas não desistem. Estão fartas do controlo, da repressão, da falta de Liberdade de expressão, e por terem os sonhos, talentos e capacidades limitados - "Que me espanquem com os seus cassetetes, que me desfaçam o corpo de pancada, que me alvejem e me matem. Lutámos durante toda uma vida. Queremos ser livres. Queremos igualdade. Queremos poder viver as nossas vidas".
Como diz a autora: isto é só uma estória mas existe poder nas estórias e "as iranianas têm noção disso". Que não deixemos esquecer as lutas que as mulheres travam em todo o mundo e neste caso que não nos esqueçamos das Shir zan - "as mulheres corajosas como leoas".
Obrigada Marjan por esta estória magnífica sobre os direitos das mulheres e sobre uma amizade que independentemente de tudo se manteve fiel até ao fim.
Sempre vossa,
Uncanned Sardine




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